Serra da Malcata, Penamacor
Levantamento fotográfico da Serra da Malcata para o Município de Penamacor
Miradouro dos Sete Concelhos, o ponto mais alto da Serra da Malcata, a 1005 metros de altitude. Aqui é possível avistar, tal como a sua designação indica, sete concelhos, nomeadamente: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Fundão, Covilhã, Guarda e Sabugal.
Está frio, bastante frio. Felizmente, um pouco menos do que quando aqui cheguei, antes do alvorecer. Mesmo com luvas e enquanto armava tripés e colocava as minhas companheiras máquinas no seu devido e desejado ponto, deixei de sentir os dedos com a muito baixa temperatura local. Mexer-me também não era tarefa fácil dada a roupagem vestida por camadas, qual cebola bípede em modo de congelação. A expectativa de conseguir uma boa imagem do amanhecer era e é sempre elevada apesar do forte manto de nuvens que cobria toda a extensão do horizonte sem qualquer aberta ou perspetiva de tal. Há que aguardar e acreditar. A Natureza, ao contrário de nós, não é ingrata embora os meus dedos contestassem tal do alto da sua coloração roxa e insensibilidade física.
Eis que o manto diáfano começa a abrir e a revelar farrapos de azul. A luz do novo dia irrompe timidamente através da ascensão lenta mas firme do sol. A determinado momento o astro está no ponto ideal entre a serra e as nuvens, refulgindo e irradiando orgulhosamente a beleza radiante do amanhecer. Este é um dos mais grandiosos espectáculos da Natureza a que podemos assistir em vida.
Este é o meu trabalho. Isto é o que adoro fazer. Isto vale todo o esforço de me levantar de noite cerrada, do frio, do vento e de tudo o mais. Isto é belo e único.
Malcata Mountain, Penamacor
Photographic survey of Serra da Malcata for the Municipality of Penamacor
Sete Concelhos Viewpoint, the highest point of the Serra da Malcata, at 1005 meters above sea level. Here you can see, as its name indicates, seven municipalities, namely: Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor, Fundão, Covilhã, Guarda and Sabugal. It’s cold, very cold. Fortunately, a little less than when I arrived here, before dawn. Even with gloves and while I was setting up tripods and placing my fellow machines in their proper and desired spot, I no longer felt my fingers with the very low local temperature. Moving around was also no easy task given the layered clothing I wore, like a bipedal onion in freeze mode. The expectation of getting a good image of the sunrise was and is always high despite the thick blanket of clouds that covered the entire horizon without any opening or perspective of such. We must wait and believe. Nature, unlike us, is not ungrateful, although my fingers would contest this from the height of their purple coloration and physical insensitivity. Behold, the diaphanous cloak begins to open and reveal shreds of blue. The light of the new day breaks timidly through the slow but steady rise of the sun. At a certain moment, the star is at the ideal point between the mountains and the clouds, shining and proudly radiating the radiant beauty of the dawn. This is one of the most magnificent spectacles of Nature that we can witness in our lifetime. This is my job. This is what I love to do. This is worth all the effort of getting up in the middle of the night, in the cold, the wind and everything else. This is beautiful and unique.





